Uma mensagem chega de um número desconhecido. Foto de uma jovem. Às vezes um áudio simpático, uma conversa curta.
Horas depois, uma segunda ligação. Desta vez é um "delegado". Ele diz que a jovem da foto é menor de idade. Que o pai está na delegacia. Que vai registrar um boletim de ocorrência contra você — e avisar família, empregador, contatos.
A saída? Um depósito. "Para resolver tudo aqui dentro."
É o golpe da novinha. E a vítima não fez absolutamente nada de errado.
Como o golpe funciona
Não existe menor de idade. Não existe delegado. Não existe pai na delegacia.
Existe um criminoso — muitas vezes operando de dentro de uma prisão — com um roteiro testado para provocar pânico e extorquir dinheiro.
O roteiro tem três passos:
- Contato inicial: número desconhecido manda foto ou imagem de uma mulher jovem, às vezes com mensagem sedutora. A vítima não pediu. Simplesmente recebeu.
- A armadilha: se a vítima responde ou interage, o golpista registra isso. Se não responde, ele liga de qualquer forma — a interação é fabricada ou irrelevante para o roteiro.
- O "delegado": um segundo golpista liga fingindo ser autoridade policial. Usa linguagem formal, cita artigos de lei, menciona o nome da suposta menor. Cria pressão máxima para que a vítima pague antes de "pensar direito".
Por que é eficaz
O golpe explora vergonha e medo — dois sentimentos que paralisam o raciocínio. A vítima, mesmo sem ter feito nada, sente que precisa se defender de uma acusação. O "delegado" conta exatamente com isso.
Quanto mais a pessoa teme o julgamento de familiares ou colegas de trabalho, maior o efeito. Por isso o golpista sempre menciona: "vou ligar para seus contatos", "vou avisar sua esposa", "vou publicar nas redes".
O que fazer se isso acontecer com você
Não pague nada. O pagamento não encerra o golpe — ele inicia um ciclo. Quem pagou uma vez vira alvo permanente.
Não delete as mensagens. Guarde tudo: prints, número de quem ligou, horário. São provas para o boletim de ocorrência.
Não entre em contato de volta. Ligar ou responder confirma que a pressão funcionou e pode ser usado para exigir mais.
Registre um boletim de ocorrência. Pelo site da Delegacia Online do seu estado ou presencialmente. Extorsão é crime — e as autoridades reais precisam saber que esse golpe está ativo na sua região.
Conte para alguém de confiança. O isolamento é parte do golpe. Conversar com um familiar ou amigo próximo ajuda a recuperar o raciocínio e confirma que a situação não tem a gravidade que os criminosos pintam.
O que dizer se o "delegado" ligar de novo
Você pode simplesmente dizer: "Estou ciente de que isso é extorsão. Já registrei boletim de ocorrência e encaminhei os dados para as autoridades."
Na maioria das vezes, o contato cessa. Golpistas buscam vítimas fáceis — não pessoas que documentaram a situação.
Nenhuma culpa é sua
Receber uma foto não solicitada não é crime. Não existe lei que responsabilize quem recebe uma imagem sem pedir. O "delegado" falso vai tentar convencer você do contrário — e é exatamente aí que o golpe se sustenta.
Se você ou alguém próximo passou por isso, a orientação é a mesma: não pagar, guardar provas, registrar ocorrência e procurar apoio.